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Tensão marca 1º depoimento de Lula sobre sítio

O primeiro interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato, com a substituta do juiz Sérgio Moro, a juíza federal Gabriela Hardt, foi marcado por um clima de tensão. Na audiência, que durou ontem quase três horas, a magistrada chegou a advertir o petista logo no início do depoimento. Foi a primeira vez que o ex-presidente deixou a Superintendência da Polícia Federal desde que foi preso, em 7 de abril, após ser condenado em segunda instância no processo que envolve o triplex do Guarujá.

Nesta ação, o ex-presidente - que disse ontem que não sabia do que era acusado e alegou ser vítima de uma "farsa" - é réu no caso do sítio de Atibaia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, o petista recebeu propina das empreiteiras OAS e Odebrecht por meio de reformas no sítio, que está em nome do empresário Fernando Bittar, também réu na ação - ao todo são 13 acusados. As obras teriam custado cerca de R$ 1 milhão.

"O senhor sabe do que está sendo acusado?", questionou a juíza, seguindo o rito dos interrogatórios a que são submetidos todos os réus. "Não", respondeu o petista, para, em seguida, dizer que estava disposto a responder a toda e qualquer pergunta. "Eu sou dono do sítio ou não?", questionou.

"Isso é o senhor que tem que responder e não eu", rebateu Gabriela. "E eu não estou sendo interrogada nesse momento." Após ser interrompida por Lula, que insistia em fazer perguntas, a juíza afirmou: "Senhor ex-presidente, se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema."

Tanto os delatores da Odebrecht como o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, afirmaram em juízo que executaram serviços em benefício do petista. Pinheiro chegou a dizer que o sítio era de Lula, o que ex-presidente nega.

Na segunda-feira passada, Bittar havia dito a Gabriela que a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro de 2017, "ia tocar a obra" no sítio e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, faria a reforma. Segundo Bittar, Marisa "tinha autonomia" para coordenar as obras.

As reformas do sítio teriam sido feitas em três etapas. A primeira, sob comando de Bumlai no valor de R$ 150 mil, a segunda da Odebrecht, de R$ 700 mil - ambas em 2010 - e uma terceira obra na cozinha, pela OAS, de R$ 170 mil - em 2014 -, em um total de R$ 1,02 milhão.

"Agora ficou fácil citar o nome da dona Marisa, porque ela morreu", afirmou Lula. "Tenho muita dúvida se dona Marisa pediu para fazer a reforma. Tenho muita dúvida. Como ela não está aqui para se explicar, eu fico com a minha dúvida."

Lula disse ainda que "tem a tranquilidade de dizer que não sabe quanto custou a reforma". Segundo ele, só "quem pode dizer isso é quem é o dono do sítio."

O petista também se exaltou quando foi questionado sobre propinas pagas no âmbito de contratos da Petrobrás e a criação de um suposto caixa do PT, que teria sido administrado pelo ex-tesoureiro da sigla João Vaccari.

"O senhor não acredita, mas foi lhe dito nos outros depoimentos sobre quantidades de valores devolvidos por diretores e gerentes da Petrobrás relativos a propinas e os valores em contas bloqueadas de políticos no exterior", afirmou Gabriela. Lula respondeu: "Aí é caixa deles, na verdade eles ganhavam um prêmio. Nunca foi tão fácil ser ladrão nesse País. Você rouba, aí depois faz a delação e fica com um terço do roubo ou dois terços do roubo".

A juíza reagiu quando Lula sugeriu amizade entre Sérgio Moro e o doleiro Alberto Youssef, delator das Operações Lava Jato e Banestado. "Ele não vai fazer acusações a meu colega aqui", disse.

Acusações rebatidas

Em nota divulgada ontem, o advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, disse que durante seu depoimento o petista "demonstrou perplexidade" e reforçou "indignação por estar preso sem ter cometido crime".

"Lula apresentou em seu depoimento a perplexidade de estar sendo acusado pelo recebimento de reformas em um sítio situado em Atibaia que, em verdade, não têm qualquer vínculo com a Petrobrás e que pertence de fato e de direito à família Bittar, conforme farta documentação constante no processo", escreveu o advogado.

Na sequência, o advogado afirma que Lula - "preso sem ter cometido qualquer crime" - estaria "sofrendo uma perseguição judicial por motivação política materializada em diversas acusações ofensivas e despropositadas para alguém que governou atendendo exclusivamente aos interesses do País".

Bolsonaro anuncia Ernesto Araújo como ministro das Relações Exteriores

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira (14) pelo Twitter que o diplomata Ernesto Araújo será o novo ministro das Relações Exteriores.

Segundo Bolsonaro, Araújo é diplomata de carreira há 29 anos e um "brilhante intelectual".

Bolsonaro já havia afirmado em entrevistas coletivas que o futuro ministro da pasta seria alguém da carreira.

O atual ministro da pasta, nomeado pelo presidente Michel Temer, é o senador licenciado Aloysio Nunes (PSDB-SP), que não é da carreira do Itamaraty.

'Incrementar' negócios pelo mundo

Após anunciar o nome de Ernesto Araújo, Bolsonaro concedeu uma entrevista coletiva no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Brasília, onde funciona o gabinete de transição.

Na entrevista, disse ter escolhido o diplomata para o cargo pelo perfil de Araújo.

"Obviamente, [a escolha foi] motivar o Ministério das Relações Exteriores a incrementar a questão de negócios no mundo todo", afirmou.

Durante toda a campanha eleitoral, Bolsonaro disse que buscaria manter relações com outros países "sem viés ideológico". Disse reiteradas vezes, por exemplo, que incentivaria a China "comprar no Brasil, não comprar o Brasil".

Novo ministro

Ao lado de Bolsonaro, Enersto Araújo disse que à frente do Itamaraty fará uma política "efetiva em função do interesse nacional", tornando o Brasil um país "próspero" e "feliz".

"Sem preferências, temos relações excelentes com todos os parceiros para incrementar as parcerias em benefício do povo brasileiro, sobretudo", afirmou.

Ministros já anunciados

Além de Ernesto Araújo nas Relações Exteriores, o futuro governo já anunciou os seguintes ministros:

- Paulo Guedes (Economia);

- Onyx Lorenzoni (Casa Civil);

- Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública);

- general Augusto Heleno (Segurança Institucional);

- general Fernando Azevedo e Silva (Defesa);

- tenente-coronel Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia);

- Tereza Cristina (Agricultura).

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro informou que o objetivo era reduzir o número de ministérios de 29 para "no máximo" 15. Mas, nesta terça (13), declarou que o número deve ficar entre 17 e 18.

Presidente Bolsonaro vai trabalhar por um país mais feliz

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou que tem intenção de fazer com que todos vivam bem e em harmonia no Brasil. Segundo ele, é preciso “transformar o nosso país” em um local onde todos consigam conviver mais felizes. O esforço, de acordo com Bolsonaro, é conjunto de todos aqueles que contribuem para o governo eleito.

“Tem como transformar o nosso país. Mas não só habitável, mas [um lugar em] que as pessoas possam viver em harmonia e mais felizes.”

Bolsonaro surpreendeu ontem (10) à noite o empresário Silvio Santos, que conduzia o Teleton, uma campanha do SBT em favor de ajuda financeira para a Associação Brasileira de Assistência para a Criança Brasileira (AACB). O presidente eleito ligou direto para o apresentador para pedir doações.

“Sou um fã teu. Tenho acompanhado o Teleton à medida do possível, realmente há um reconhecimento muito grande por parte da sociedade”, disse. “A grande contribuição não é minha. É pedir, respeitosamente, para quem votou em mim ou não, mas é fã do Silvio Santos, que faça uma doação que seja de R$ 5.”

Elogios

Por pouco mais de seis minutos, Silvio Santos conversou, por telefone ao vivo, com Bolsonaro. Fez elogios especialmente à escolha do juiz federal Sergio Moro para o Ministério da Justiça (que agregará a Segurança Pública e parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf).

“O mérito é dele [Sergio Moro], de atacar o crime organizado”, destacou o presidente eleito. “O homem que nos deu esperança de viver em um país sem corrupção ou com menos corrupção e que possa atacar o crime organizado”, acrescentou.

Silvio Santos agradeceu a Bolsonaro e fez questão de dizer que não o conhece pessoalmente, mas tem uma impressão positiva sobre ele. “A impressão que eu tenho é que é um carioca risonho e brincalhão.”

O empresário afirmou ainda que foi a primeira vez que um presidente da República ligou para ele durante o Teleton e pediu que Bolsonaro não anunciasse publicamente o valor da sua doação.

“É a primeira vez que um presidente me dá este prazer e teve a gentileza de ligar para mim. Gostaria de parabenizá-lo, sei que o Brasil não é um peso leve”, disse Silvio Santos.

Agência Brasil

Novo governo herda projetos de R$ 32,5 bilhões

A equipe de transição entre os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro se debruça, nas próximas semanas, sobre um documento que traz a relação dos projetos concluídos e inacabados do Executivo federal.

Um total de 7,3 mil projetos que ainda constam como incompletos — e representam mais de R$ 32,5 bilhões em investimentos até sua conclusão — devem ser alvo de escrutínio do gabinete instalado no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em Brasília.

Em 612 páginas, dividas em dois tomos, os documentos entregues pelo time de Temer mostram o que foi priorizado na reta final do governo. Os projetos de habitação, saneamento e energia estão no topo da lista. Somadas, essas áreas respondem por mais da metade do valor das obras em andamento, que têm previsão para serem finalizadas até o fim do ano. Mais de R$ 18,8 bilhões está destinado para essas três áreas.

Setores como portuário, urbanização e a construção de equipamentos nas áreas de educação, esporte e cultura estão entre os que menos recebem recursos, atualmente, do governo federal. A conclusão dos projetos, no entanto, está condicionada à disponibilidade de recursos e muitos devem ficar para a gestão do presidente eleito.

O raio X dos projetos também mostra as diferenças no investimento entre cada parte do País. Considerando os valores destinados a projetos em andamento e a população em cada Estado, a Região Sul foi a que teve o maior valor destinado a obras por habitante. A previsão é gastar, em média, R$833,16 para cada morador no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nas obras em andamento.

Já a Região Norte é a que apresenta o menor índice de investimento por habitante. O valor total dos projetos é de R$ 236,78 para cada morador. Os valores atualmente destinado a cada Estado, segundo mostra o relatório, têm pouca relação com o número de projetos em execução. A Região Nordeste, por exemplo, é a que tem o maior número de projetos em andamento - são 3.186. No entanto, o valor total desses projetos é menor do que no Sul e no Sudeste, que têm número menor de obras.

Para o cientista político Rogério Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o novo governo terá de avaliar individualmente as obras para decidir o que será continuado. “Nenhum governo vai, de antemão, por uma questão do teto de gastos que o governo tem de cumprir, deixar efetivamente de terminar uma obra”, diz Prando. “É obvio que o próximo governo vem com a intenção de segurar os gastos mas, no limite, tem de fazer uma avaliação caso a caso para saber o que não vai finalizar, se vai jogar tudo fora.”

Além disso, quanto à diferença no investimento entre as regiões, Prando afirma que é preciso considerar as particularidades de cada Estado. “O que custa menos pode ter um impacto muito maior justamente por ser em uma região menos desenvolvida. (O valor de) R$ 200 no Nordeste e no Norte não é a mesma coisa que R$ 200 no Sudeste.”

Margem. Já o professor Luiz Bueno, que leciona filosofia política na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), vê pouca margem de manobra para que o próximo governo faça mudanças significativas na lista de obras incompletas. Como já há dinheiro separado para o pagamento de obras que ainda serão realizadas, a quebra de contratos pode significar prejuízo.

“A diferença vai se fazer no próximo Orçamento, que é quando se vai rediscutir quais tipos de investimento serão destinados a cada área. Aqui (na lista da transição), só se pode fazer revisão dos projetos”, diz Bueno. “Para este ano (de 2018) os números estão dizendo que nós continuamos gastando mal, com prioridades que talvez não sejam o que o Brasil precisa.”

estadão

Maggi fora. Ruralistas indicam, e Bolsonaro anuncia Tereza Cristina como ministra da Agricultura

O presidente eleito Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira (7) a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) como ministra da Agricultura. Ela será a segunda mulher a comandar a pasta.

Atual presidente da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso Nacional, conhecida como a bancada ruralista, Tereza Cristina foi indicada pela FPA para o cargo. Ela é engenheira agrônoma e empresária.

O anúncio foi feito após Bolsonaro e o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), se reunirem em Brasília com parlamentares da FPA. O encontro aconteceu no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funciona o gabinete de transição.

Além de Tereza Cristina e Onyx Lorenzoni, ambos do DEM, outros quatro ministros já foram anunciados: Paulo Guedes (Economia), general Augusto Heleno (Segurança Institucional), Sérgio Moro (Justiça) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

No Congresso, Tereza Cristina foi uma das principais defensoras do projeto que muda as regras no registro de agrotóxicos.

A futura ministra está no primeiro mandato como deputada e, durante a campanha eleitoral, manifestou apoio à candidatura de Bolsonaro à Presidência.

No Mato Grosso do Sul, ela já foi secretária de Desenvolvimento Agrário, Produção, Indústria, Comércio e Turismo; diretora-presidente da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal; e diretora-presidente da Empresa de Gestão de Recursos Minerais.

Filiação ao DEM

Antes de se filiar ao DEM, Tereza Cristina integrava o PSB, partido do qual foi líder na Câmara.

Em abril, foi destituída da direção estadual do PSB após votar a favor da reforma trabalhista proposta pelo presidente Michel Temer, contrariando a orientação da sigla.

Em agosto, voltou a contrariar o PSB ao votar contra o prosseguimento da segunda denúncia contra Temer. Pediu desfiliação do partido antes de ser expulsa pela direção nacional do PSB.

Nota da FPA

Após Bolsonaro anunciar Tereza Cristina como ministra, a Frente Parlamentar Agropecuária divulgou a seguinte nota:

Membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) estiveram reunidos, hoje, com o Presidente da República eleito Jair Bolsonaro.

A bancada, após consenso entre parlamentares e entidades representativas da Agropecuária, sugeriu o nome da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), presidente de FPA, para o Ministério da Agricultura.

Jair Bolsonaro aceitou a indicação e confirmou o nome da deputada Tereza Cristina para assumir a pasta.

fonte: G1

Moro - "Não posso pautar minha vida por fantasia de perseguição política"

Em sua primeira entrevista coletiva após aceitar o convite para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL), o juiz federal Sergio Moro afirmou que sua decisão "não tem nada a ver com o processo do [ex-presidente] Lula", a quem ele condenou por corrupção e lavagem de dinheiro no ano passado.

“Eu não posso pautar minha vida com base numa fantasia, num álibi falso de perseguição política”, afirmou, durante entrevista nesta terça (6).

O futuro ministro declarou ainda não haver "a menor chance de utilização do ministério para perseguição política".

Segundo ele, o ex-mandatário petista foi “condenado e preso porque cometeu um crime, e não por causa das eleições”.

“Sei que alguns eventualmente interpretaram a minha ida como uma espécie de recompensa. É algo absolutamente equivocado, porque minha decisão [que condenou Lula] foi tomada em 2017, sem qualquer perspectiva de que o então deputado federal [Bolsonaro] fosse eleito presidente da República”, declarou o juiz. “O que existe é um crime que foi descoberto, investigado e provado. As cortes de justiça apenas reconheceram esse fato e impuseram a pena da lei. Apenas cumpriram seu dever.”

Moro afirmou que foi sondado pela equipe de Bolsonaro no dia 23 de outubro, na semana anterior ao segundo turno, em um telefonema do economista Paulo Guedes, que deve assumir a área econômica do governo.

Isso foi depois, portanto, de o juiz retirar o sigilo de trechos da delação do ex-ministro Antonio Palocci, a seis dias do primeiro turno –uma decisão que foi criticada, pela proximidade do período eleitoral.

Segundo ele, há “divergências e convergências” com o presidente eleito, que lhe pareceu uma “pessoa bastante ponderada”, mas ele decidiu aceitar o convite em prol de uma “agenda anticorrupção e anticrime organizado”.

Sem fusão, nome de Maggi volta a ser cogitado para a Agricultura

Com o provável recuo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) em fundir os ministérios da Agricultura e Meio Ambiente, o nome do atual ministro Blairo Maggi (PP) voltou a circular como cotado.

Maggi havia descartado interesse em permanecer logo que a possibilidade de fusão foi anunciada. Ele foi o primeiro a falar sobre os efeitos temerosos no mercado internacional.

Agora, ciente do risco, o grupo do presidente eleito trabalha para manter as duas pastas autônomas, e Maggi voltou ao radar pelos resultados obtidos durante sua gestão.

Juiz Sérgio Moro - Futuro Ministro da Justiça

O juiz federal Sérgio Moro anunciou nesta quinta-feira que aceitou convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça no novo governo e disse que pretende implementar uma “forte agenda anticorrupção”.

“Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite”, disse Moro em nota pouco depois de se reunir com o presidente eleito para discutir a oferta feita pelo futuro chefe do Executivo.

“Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão”, acrescentou o juiz, que esteve com Bolsonaro nesta manhã na casa dele, no Rio de Janeiro.

Principal responsável pela operação Lava Jato, Moro disse que vai se afastar de novas audiências no âmbito da operação “para evitar controvérsias desnecessárias”, mas declarou que a Lava Jato seguirá em Curitiba sob comando de outros juízes.

O magistrado viajou de Curitiba para o Rio nesta manhã para se reunir com Bolsonaro. Em breve entrevista durante o voo, Moro disse que entender que o país “precisa de uma agenda anticorrupção e uma agenda anticrime organizado”, e que aceitaria o cargo se ficasse clara a possibilidade de implementação dessa agenda e convergência de ideias com Bolsonaro.

De acordo com uma fonte com conhecimento do assunto, Moro já estava decidido a aceitar e só esperava a garantia formal do próprio presidente eleito com as condições pedidas por ele para assumir o cargo: o comprometimento do governo com a aprovação das 10 medidas contra a corrupção preparadas pelo Ministério Público e a ampliação dos poderes do Ministério da Justiça.

Moro quer que o ministério volte a ser integrado com a segurança pública e passe a abarcar também o Ministério da Transparência, que inclui a Corregedoria-Geral da União. As condições já teriam sido conversadas com a equipe de Bolsonaro antes do encontro entre os dois.

Na Justiça Federal em Curitiba será aberto um processo interno para substituir Moro entre os juízes federais que se candidatarem à vaga, com prioridade para o juiz mais antigo. A informação é que os investigações e processos da Lava Jato não seriam redistribuídos, mas permaneceriam na mesma vara, só que com um novo responsável.

Moro se tornou um símbolo mundial no combate à corrupção em razão da Lava Jato, e foi quem condenou e decretou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Moro diz que irá ‘refletir’ sobre convite de Bolsonaro para ser ministro

O juiz federal Sergio Moro afirmou, nesta terça-feira 30, que um provável convite do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para o Ministério da Justiça ou para compor o Supremo Tribunal Federal (STF) será, se confirmado, “objeto de ponderada discussão e reflexão”.

Em nota oficial, o magistrado, responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Paraná, disse que neste momento tem a dizer “publicamente que fico honrado com a lembrança”. Mais cedo, o advogado Gustavo Bebianno, braço-direito de Bolsonaro, afirmou que o governo contava com a disposição do juiz em se “engajar” com a nova gestão.

Durante entrevista à RecordTV, o presidente eleito afirmou a sua pretensão de ter Sergio Moro em uma das funções. Para a Justiça, ele deverá escolher um ministro já no primeiro dia de governo, em substituição a Torquato Jardim. Para o Supremo, Bolsonaro só poderá nomear um nome em 2020, data prevista para a aposentadoria compulsória do decano da Corte, ministro Celso de Mello. E um outro em 2021, no final do período de Marco Aurélio Mello.

Um pouco depois, falando ao Jornal Nacional, Jair Bolsonaro defendeu o juiz Moro como “um símbolo do Brasil”. “É um homem que tem que ter seu trabalho reconhecido. Pretendo conversar com ele, convidá-lo para o Ministério da Justiça ou, no futuro, abrindo uma vaga no Supremo Tribunal Federal, na qual melhor ele achasse que ele poderia trabalhar pelo Brasil”.

A intenção do pesselista de indicar o juiz foi revelada pela coluna Radar há duas semanas. Nesta segunda, por meio de nota, o magistrado parabenizou o pesselista pela vitória e desejou “que faça um bom governo”. “São importantes, com diálogo e tolerância, reformas para recuperar a economia e a integridade da administração pública, assim resgatando a confiança da população na classe política”, afirmou Sergio Moro.

O presidente do Brasil

Jair Messias Bolsonaro (PSL), de 63 anos, foi eleito neste domingo (28) para comandar o Brasil até 2022. Para conquistar pela primeira vez o cargo mais importante do Executivo nacional, o deputado federal derrotou Fernando Haddad (PT) no segundo turno do pleito.

A vitória foi oficializada pouco depois das 19h20, quando mais de 94% das urnas já haviam sido apuradas e Haddad não tinha mais condições de alcançar Bolsonaro.

Na parcial que confirmou o resultado, o candidato do PSL somava mais de 55,2 milhões de votos, contra 44,1 milhões do petista. Restavam ainda ser apurados pouco menos de 8 milhões de votos.

A vitória confirma todas as pesquisas de intenção de voto, que apontavam Bolsonaro com ampla vantagem sobre Haddad e menor rejeição do que o petista. No primeiro turno, ele obteve quase 50 milhões de votos e avançou em primeiro lugar para a disputa final.

Trajetória

Nascido na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, em 21 de março de 1955, Bolsonaro é ex-militar, foi vereador da cidade do Rio de Janeiro de 1989 a 1991 e está em seu sétimo mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro. Em 2014, recebeu 464.572 votos e o foi candidato mais votado do Estado.

A carreira de Bolsonaro como militar começou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Depois, se formou na Academia Militar das Agulhas Negras. Entre 1979 e 1981, ele serviu no 9º Grupo de Artilharia de Campanha, situada na cidade de Nioaque (MS), onde integrou a Brigada de Infantaria Paraquedista.

Em 1986, se formou no curso de educação física na Escola de Educação Física do Exército. Três anos mais tarde, liderou um protesto contra os baixos salários dos militares.

Ao infringir o regulamento disciplinar do Exército, ficou preso por 15 dias. No ano seguinte, novos atos de indisciplina ocorreram e foram atribuídos a Bolsonaro e outros militares que foram julgados e inocentados pela Justiça Militar. Em 1988, foi para a reserva e deu início à carreira política.

Ascenção à Presidência

A decisão de Bolsonaro de disputar o cargo mais importante do Executivo aconteceu em 2014, após a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A defesa do antipetismo garantiu ao capitão visibilidade nas redes sociais e foi convidado pelo PSL (Partido Social Liberal) para disputar a vaga para o Planalto.

Para a disputa do primeiro turno, a coligação "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" ganhou apoio do PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), do futuro vice-presidente, general Hamilton Mourão.

No dia 7 de outubro, Bolsonaro obteve mais de 49,3 milhões de votos, sendo 113.690 fora do Brasil. Para o segundo turno, coube a ele administrar a vantagem de mais de 18 milhões de votos sobre Haddad, que foi o escolhido por 31,3 milhões de eleitores no primeiro turno.

Atentado

Durante um ato de campanha no dia 6 de setembro, Bolsonaro foi esfaqueado na região do abdômen durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). O atentado perfurou o intestino grosso e delgado e fez com o que o candidato perdesse 2,5 litros de sangue.

Após passar mais de 24 dias internado, o pesselista recebeu alta e foi para o Rio de Janeiro se recuperar em casa, de onde centralizou a reta final da campanha e gravou alguns dos vídeos apresentados no horário eleitoral.

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