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CONJUTURA - Eu e o Ópio

Destaque CONJUTURA - Eu e o Ópio

"A religião é o ópio do povo" é uma frase presente na Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel de Marx. Foi publicada em 1844. Marx não foi, todavia, o primeiro a utilizar tal analogia, embora a autoria lhe seja frequentemente atribuída. Ele, de fato, sintetizou uma ideia que estava presente em autores do século XVIII.

Posteriormente, esta sugestiva expressão acabou por entrar no discurso cotidiano, quase se esquecendo a sua origem, digamos, político-filosófica. Hoje, por exemplo, é comum ouvir-se expressões do tipo «o futebol é o ópio do povo», «a política é o ópio do povo», ou «a televisão é o ópio do povo». Estas são, naturalmente, alusões metafóricas relacionadas com o efeito social hipnótico, euforizante e obnubilante, neste caso, do futebol, da política e da televisão, que contribuem eventualmente para desviar as atenções da sociedade (encarada de uma forma genérica) do que será verdadeiramente essencial, mas, provavelmente, mais doloroso.

No Brasil, onde as crises econômica, política e social atrai  tanta atenção por greves, manifestação e sensação de impotência frente a corrupção generalizada, que vai do gato na TV a cabo até as plataformas da Petrobras, passando por quase todas as compras de qualquer poder, emenda, resolução ou projeto parlamentar. Onde a sensação da sociedade é que somos explorados diuturnamente, é compreensível que tudo aquilo que dá certo e movimenta as massas, seja visto como obra difusa para mascarar a realidade.

Estamos às vésperas da copa do mundo de futebol 2018, na Rússia, tenho visto dezenas de manifestações de ojeriza a Seleção Brasileira, ensacada também como mais uma ilha de prosperidade no mar da corrupção. Como tudo o que cerca a falta de conhecimento, a ausência da razoabilidade é irmã gêmea da injustiça.

Que os comandantes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) estão envolvidos até o pescoço na corrupção deslavada da mixórdia política internacional, não há dúvidas. Dai a classificar tudo como corrupção é de uma desonestidade intelectual atroz.

Partindo do princípio que a CBF é uma entidade privada, portanto não usa de verbas públicas. O que faz seus dirigentes é condenável e deveria ser punido e investigado por quem sofre suas consequências. Clubes, redes de TV, federações e etc. O avião que a seleção viaja é alugado de uma empresa privada, por uma entidade privada e pago com dinheiro privado da Confederação. Ficam em hotéis de luxo pagos com dinheiro privado da confederação.

O dinheiro dos jogadores tem origem em seus clubes e não nos cofres dos governos. A maioria atua fora do Brasil.

Portanto onde está a utilização de recursos públicos para a condenação apócrifa e para a qualificação dos argumentos rupestres da ojeriza coletiva?

Poucas coisas país nos enchem de orgulho de ser brasileiro. E quase todas relacionadas a esporte. Vôlei, Airton Senna e...Futebol dentre elas.

Na Rússia, será disputa a 21º edição da Copa do Mundo de Futebol. Países desenvolvidos como França (1998), Inglaterra (1966) e Espanha (2010) possuem apenas um título mundial neste esporte. Das 20 copas já realizadas, o Uruguai possui duas conquistas (1930 e 1950) e depois saiu do protagonismo mundial. Não disputou sequer outras finais.

A argentina, de Maradona e Messi possui dois títulos Mundiais (1978 e 1986).

A Itália, potência econômica mundial tem 4 títulos mundiais (1934 / 1938 / 1982 / 2006), assim como a inacreditavelmente evoluída Alemanha (1954 / 1974 / 1990 / 2014).

Uma nação, reina soberana, sobre todas as outras. O Brasil, com 5 títulos mundiais (1958 / 1962 / 1970 / 1994 e 2002). O maior vencedor de todos os tempos. É disso que temos vergonha e ódio?

Evidente que queremos ser penta mundial em saneamento básico, em igualdade social, em desenvolvimento humano, em grau de escolaridade em produção acadêmica, mas a pergunta que não quer calar é;

- O que isso tem a ver com futebol?

Acaso são conquistas antagônicas? Somos uma nação injusta porque somos os melhores do mundo no futebol? A idiotice é tamanha que se equivale em responsabilizar Airton Sena porque o Brasil, em sua época convivia com a hiperinflação. Sena era culpado da hiperinflação?

A falta de civilidade começa justamente na confusão. Misturar futebol com política é trabalho para políticos desonestos de todas as tendências. De direita ou de esquerda. Os militares usaram a seu favor. A esquerda promoveu o ódio a seu favor.

O que falta mesmo é conhecimento. Saber que torcer pela seleção é torcer por uma parte ínfima do Brasil que dá certo, que é bom é melhor é superior aos outros.

Fazer isto sem perder de vista o Brasil que está errado e precisa mudar. Neymar e Cia não são candidatos. Não vão mudar o Brasil. Fazem apenas o que sabem, dentro de suas atividades, da melhor maneira possível. Devemos condena-los porque são bons nisso?

Torcer na copa e votar certo nas eleições. Para a preguiça intelectual brasileira, são tarefas que exigem por demais da inteligência. Melhor ser “contra tudo isso aí”, do que pensar, diferenciar, estudar, pesquisar e votar certo.

Se o futebol é o ópio do povo, lá vou eu para minha dose quadrienal de ópio, a partir de 17 de Junho.  Nos 90 minutos que a bola rolar, vou vestir minha camiseta amarela, torcer e berrar pelos Brasil. Assim que o jogo acabar, vou voltar a pesquisar, estudar e refletir sobre o Brasil, seus problemas e eleições. Uma coisa é bem diferente da outra. Sou eu quem faço do futebol o ópio ou a intolerância e falta de racionalidade de quem não sabe diferenciar?

P.SO Brasil foi 3º em 1938. Foi 2º em 1950. Campeão em 1958, 1962 e 1970. Foi 4º em 1974 e foi 3º em 1978. Foi campeão em 1994 e 2º em 1998. Campeão em 2002 e 4º lugar em 2014.

Você sabia?O Brasil disputou 104 jogos de Copa do Mundo. 70 Vitórias – 17 Empates e 17 Derrotas. Marcou 221 gols e Sofreu 102?

Ely Leal - Jornalista, Radialista e Narrador Esportivo - Nunca usou Ópio mas ama o futebol. 

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