Zeca, seja grande, Zeca!
- Escrito por Ely Leal
- Publicado em Coluna Conjuntura
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By Ely Leal
O sentimento de medo que havia na população de Primavera do Leste sobre a renovação de nossos líderes políticos caiu por terra com a eleição do atual prefeito Léo Bortolin. Não há como negar que ele tem feito, até aqui uma gestão de encher os olhos e dar esperanças a uma cidade que já foi tão promissora mas que nos últimos anos vinha apresentando uma decadência em face de gestões que não mais correspondiam as expectativas da população.
Não restam dúvidas que Darnes Cerutti, Vilceu Marquetti (in memorian), Erico Piana e Getúlio Viana deram importantes contribuições para o progresso da cidade. Ajudaram sim e muito a ser a cidade que chegou a ser a 5º maior economia do estado. Mas os anos de gestões proativas e de trabalho insano desses gestores deixaram marcas nesses velhos políticos. Cansou. Não são mais aquilo que um dia já foram e com todo o respeito, deixando de lado as paixões de grupo, estão recolhidos a suas aposentadorias como lideranças.
Léo Bortolin é o sopro da jovialidade. O sinônimo de fazer com conhecimento e gosto, somado a determinação de melhorar e superar os que o antecederam. Não na fase final, mas inicial do processo. Lá atrás. O êxito de sua gestão até aqui reforça a convicção de que é hora de mudar em outros níveis também. ,
Vivemos um período propício para esta mudança. Teremos eleições neste ano. É o momento de alterar também nossa representação estadual e federal. Chega das velhas e carcomidas raposas políticas. É preciso novos projetos, novas perspectivas, novo ânimo, novos nomes e novos sonhos.
Para se chegar é isso, é preciso que a cidade entenda que, por exemplo, o deputado estadual Zeca Viana (PDT) deu sua contribuição na Assembleia Legislativa. Seu estilo oposicionista foi importante até determinado ponto. Vai fazer o que, doravante?
Este estilo pouco contribui para se fazer uma política de grupo que tenha produzido uma sinergia de benefícios para Primavera. Sendo benevolente, podemos dizer que ele já deu sua contribuição até aqui. O que pode mais oferecer? Mais do mesmo? Qual o projeto de Zeca, como político, que possa reavivar novamente no eleitor a expectativa de melhorias?
Mas a grandeza deve, primeiramente, partir dele, Zeca. Ele deve ter a estatura de um verdadeiro e grande político e saber que pouco pode agregar doravante no desenvolvimento da região. Seu histórico de conflitos políticos e seu estilo trator no trato da necessária convivência política não agregaram e quase nada poderá agregar de agora em diante. Sua presença, que já foi destaque, se tornou um farto. Sua ambição pessoal precisa ser deixada de lado, em prol de um novo caminho para a cidade.
Zeca poderia demonstrar seu propalado amor pela cidade, se retirando da vida pública, para cuidar de seus negócios e aproveitar a popularidade que ainda lhe resta, a força do que ajudou a construir, para lançar um novo projeto. Uma nova liderança. Ajudar a construir uma nova projeção de ideais. Uma nova geração, que pode até mesmo estar no seio Viana. A familiocracia ainda pode e deve contribuir, mas certamente precisa de novos ares, um novo sopro, uma jovialidade.
É hora de dar espaço para a nova geração. Zeca precisa compreender isso. É preciso ter a sapiência para entender quando a terra, arada e adubada, já produziu o que tinha de produzir e está exausta sendo necessária uma nova preparação para que ela continue produtiva.
Caso insista na ambição pessoal por cargos e mandatos, poderá encerrar sua carreira política de forma melancólica, tal qual aconteceu com seu irmão Getúlio, que de líder administrativo, admirado por muitos, encerrou sua trajetória gravando um vídeo com esparadrapo na boca, fazendo acusações levianas e enterrando sua dignidade na função pública de maneira melancólica. Lamentável! Nem mesmo Zeca merece passar por isso.
Se insistir em projeto pessoal, Zeca pode seguir a mesma trilha. Nas entrevistas que deu em Cuiabá, após o pleito municipal, já demonstrou que não soube assimilar a sova doída que o grupo levou nas urnas. Pode pegar esse limão e fazer uma limonada. Pode entender o recado dos eleitores e sair por cima, abrindo mão e criando condições para novos nomes. Ou pode insistir e acabar com um esparadrapo na boca, fazendo acusação leviana. Torcemos para que isso não aconteça. Seja grande, Zeca!
Ely Leal - Jornalista e Radialista é chefe de redação do CORREIO DA CIDADE MT.