A história. A Imprensa e a Lei. Eraldo é culpado!
- Escrito por Ely Leal
- Publicado em Coluna Conjuntura
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No ano de 2005, recém empossado Prefeito Municipal, Getúlio Viana foi conhecer as salas de aulas que funcionavam embaixo das escadas do Ginásio Pianão. Numa de época de calor como a que atualmente vivemos, o então Prefeito encontrou alunos tendo aulas num espaço impróprio. Sem janelas e sem ventilação. Revoltado com o que viu, Getúlio decidiu construir uma escola nova. Mas antes de construir a escola (Cremilda Viana), queria tirar as crianças daquela situação. Getúlio não tinha experiência como administrador. Nunca tinha sido político ou eleito. Para ele, tudo era novidade.
Encontrou uma sala onde funcionava na época a UFMT. Decidiu levar as crianças para lá. Enfrentou a fúria dos universitários, que por capricho, não queriam que crianças ocupassem a sala, afinal eles eram “universitários” e crianças no local, “pegava mal” para eles.
Para levar as crianças do Pianão para lá, precisava de um ônibus. Resolveu contratar. Enquanto a Prefeitura pagava R$ 11,00 por quilometro rodado nos ônibus que atendiam a municipalidade, contratados ainda na época do 3º mandato do Sr. Pinto (2000-2004), Getúlio contratou um ônibus por R$ 6,50 o quilometro rodado. Detalhe, ele fez essa contratação no grito, sem licitação e sem o processo burocrático necessário.
Fez errado? Sim e não! Errado porque havia um caminho burocrático que foi desprezado por ele. Não, porque se o princípio da legalidade não foi feito, houve também o princípio da economicidade. Pagou mais barato que o próprio poder pagava antes.
Getúlio levou vantagem nisso? Ganhou alguma coisa por ter feito isso? Evidente que não!
O resultado é que exatamente por este ato, Getúlio teve as contas da sua gestão de 2005 reprovadas pelo TCE-MT e pela Câmara Municipal e condenado em 1º instância está com seus direitos políticos suspensos por 8 anos.
Um salto no tempo.
O atual vice, Eraldo Fortes, empresta máquinas para um curso. Está errado? Sim e não!
Sim. Recebeu um oficio (acredita-se, embora não tenha protocolo) de uma empresa com 4 meses de existência, sem comprovada capacidade funcional, sem convênio assinado, sem sede, sem funcionários que realizou entrevista e inscrição para o tal curso numa sala emprestada do SINE. Porque deu um curso de 2 dias, num final de semana (grande qualificação) e depois embolsou o dinheiro dos alunos e sumiu da cidade.
Eraldo alega (leiam o depoimento dele para a Polícia, tolinhos da Imprensa) que o curso ira oferecer vagas para funcionários.
Onde está isso? No ofício? No convênio? Assinado em algum lugar? Nada! Nada!
É ele quem está dizendo isso. É só a palavra dele. De outro lado, a palavra da Investigação da Polícia que consta nos autos. Ninguém fez o curso (não se assustem, vai aparecer seguidor político, em cargo comissionado e mamando nas tetas da Prefeitura dizendo que sim, fez o curso, mas é mentira). A afirmação não é minha. São de três delegados e mais as agentes de investigação que colheram depoimentos de alunos que fizeram o único curso e várias outras pessoas.
Fico com a palavra do Eraldo ou fico a versão da Polícia? Não me leve a mal. Conhecendo Eraldo desde 2006 e sua trajetória na política, fico com a versão da autoridade Policial.
Qual a semelhança entre o caso de Getúlio e o caso de Eraldo? Todas. Ambas alegam que fizeram o melhor para o município e sem maldade, mas também sabem que fizeram algo que não deveria ser feito deste modo.
Então, assim como Getúlio, Eraldo tem que ser condenado, devolver o prejuízo que causou e ter seus direitos políticos suspensos por improbidade administrativa.
O mais antigo editor da cidade, dono do Jornal mais antigo, escreveu um editorial para dizer que não é nada disso. Que Eraldo ajudou o curso que isso foi bom (Heim?) porque funcionários da Prefeitura fizeram o curso. Disse ainda que muitos fazem pedidos para os políticos e poderes da cidade e que a vida é assim mesmo, há muitos anos.
Não é!
Órgãos Público, quando quer ajudar, faz convênios. Cumpre as regras. Segue as normas. Político quando quer ajudar, tira do bolso, ou apresenta um projeto para analise e aprovação. Caso contrário, como Getúlio em 2005, faz na boa intenção e se lasca. É o império da Lei. A lei não muda porque hoje, quem me paga é o Eraldo. Ou o Getúlio, ou quem quer que seja.
Eraldo tem quer ser condenado. Não porque eu ou qualquer um queira ou não. Mas porque a Lei diz isso. Doa a quem doer. Se não for condenado a Justiça não existe. Porque condena um e não condena o outro? O Sr. Pinto também deve ser condenado. Ele é o responsável pelos atos da gestão. Não importa se eu gosto ou deixo de gostar dele. Está na Lei, ponto final.
O que passa disso, é imprensa trabalhando sob pena paga, para desacreditar a investigação, a Polícia, o Judiciário e a própria Lei.
Ely Leal
