Banner Superior

TJ diz que Taques se faz de “vítima” e usa prestígio para atrapalhar

Destaque TJ diz que Taques se faz de “vítima” e usa prestígio para atrapalhar

O ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, teria utilizado a própria estrutura do Governo do Estado para “embaraçar” as investigações contra as interceptações telefônicas ilegais promovidas pela Polícia Militar. Os fatos teriam motivado a prisão de Taques, acusado de grampear uma ex-amante, além de jornalistas e desafetos políticos, ocorrida por determinação do desembargador Orlando Perri e executada pela Polícia Judiciária Civil (PJC) na manhã desta sexta-feira (4).

Na decisão, o desembargador aponta que Paulo Taques tem se utilizado de “mecanismos extraprocessuais” para influenciar o trabalho das autoridades que investigam o esquema de interceptações telefônicas ilegais, além de valer-se de “pessoas próximas ao Governo do Estado” para se “blindar” de eventuais sanções.

“A nenhum suspeito da prática de crime, investigado em inquérito policial, é dado o direito de se valer de mecanismos extraprocessuais para influenciar no trabalho das autoridades policiais, como, exemplificativamente, valer-se da imprensa – quiçá, até com apoio de órgãos estatais –, no intuito de se defender ou de denegrir a imagem de testemunhas, ou de utilizar-se da influência de pessoas próximas ao Governo do Estado, com o propósito de se blindar de eventuais medidas, como vem acontecendo”, diz trecho da ordem de prisão.

O desembargador cita o caso ocorrido durante as eleições municipais de 2016 em Lucas do Rio Verde (354 km de Cuiabá). Paulo Taques disse que informou ao então secretário da Casa Militar, o coronel PM Airton Benedito Siqueira Junior, que uma Central Clandestina de Monitoramento de Ligações Telefônicas estava em operação na cidade e tinha o objetivo de obter informações da campanha eleitoral do candidato a prefeito Otaviano Pivetta (sem partido), derrotado na disputa por Luiz Binotti (PSD). O escritório de Paulo Taques fazia assessoria jurídica a Pivetta nas eleições de 2016.

O desembargador Orlando Perri, porém, afirmou que o caso foi apenas um jogo de cena para Paulo Taques passar de “suspeito para vítima”, tendo em vista que ele prestava serviços jurídicos ao candidato Otaviano Pivetta, e que as interceptações telefônicas teriam ocorrido em seu escritório de advocacia (Zamar Taques Advogados Associados).  Segundo o magistrado, o ex-secretário tomou conhecimento de um inquérito que o investigava sobre os grampos ilegais na eleição em Lucas do Rio Verde.

“Estou a me referir ao inquérito policial instaurado para apuração da prática do crime de interceptação telefônica clandestina, supostamente ocorrida na eleição municipal de 2016, em Lucas do Rio Verde, onde o então Chefe da Casa Civil, ao tomar conhecimento de acusações contra sua pessoa, ao invés de aguardar sua intimação para ser ouvido e apresentar sua versão sobre os fatos, resolveu, por bem, e, a meu entender, de maneira completamente abusiva, contra-argumentar os fatos que aportaram aos autos, passando de suspeito para vítima, com a inconcussa intenção de desviar o foco das investigações”, diz trecho da ordem de prisão.

ALTO PRESTÍGIO

O estratagema utilizado por Paulo Taques, segundo Orlando Perri, “não parou por aí”, uma vez que o ex-secretário chefe da casa civil resolveu tornar “pública” sua defesa, “por meio da imprensa digital”. O desembargador se refere a petição encaminhada a ele próprio, assinada por Taques, para investigar as supostas interceptações telefônicas sofridas pelo seu escritório de advocacia durante a campanha eleitoral em Lucas do Rio Verde, que ganhou as manchetes dos veículos de comunicação de Mato Grosso.

O fato, conforme descreve o desembargador Orlando Perri, demonstrou o “alto prestígio” que Taques possui dentro do Governo de Mato Grosso, mesmo após sua saída, ocorrida em maio de 2017, assim que as interceptações telefônicas se tornaram públicas após reportagem do Fantástico. A partir da “estratégia” utilizada pelo ex-membro da cúpula do Poder Executivo, e também por “provocação” do coronel Airton Siqueira, os policiais que investigavam a denúncia de interceptações em Lucas do Rio Verde estão sofrendo um processo administrativo.

“Foi por conta da sua indevida interferência e do alto prestígio que ostenta na cúpula do Governo que se instaurou, também por provocação do Cel. Airton Benedito de Siqueira Júnior, a Sindicância em face do Cabo PM Raphael Pereira de Oliveira e do Maj. PM Dulcésio Barros Oliveira”, diz outro trecho da ordem de prisão.

Para o desembargador, inclusive, o objetivo da sindicância aberta contra os Policiais Militares “não é outro senão coagi-los e intimidá-los”.

“Curiosamente, os policiais Cb PM Raphael e o Maj. PM Barros, após terem denunciado possível esquema de escuta clandestina na eleição municipal de 2016, em Lucas do Rio Verde, transmudaram-se de testemunhas para investigados, por força de sindicância contra eles instaurada no âmbito da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, cujo propósito não é outro senão coagi-los e intimidá-los”.

Orlando Perri afirma que a influência de Paulo Taques na “cúpula” do Governo do Estado foi suficiente para que a sindicância aberta contra os policiais por suposta espionagem fosse aberta pelo fato da PM "meter o bedelho nos trabalhos desenvolvidos pelo escritório de advocacia de Paulo Taques, que funcionava dentro de um estabelecimento comercial, na cidade de Lucas do Rio Verde”. 

Perri também questiona por que só agora, em julho de 2017, os fatos transformaram-se numa sindicância se a suposta espionagem contra o escritório de Paulo Taques ocorreu em setembro de 2016. O desembargador qualifica o fato como “assustador”.

“E o mais inusitado em tudo isso, para não se dizer assustador, é que, embora os fatos tenham supostamente ocorrido em 28/9/2016, o Cel. Airton Benedito Siqueira Júnior, somente resolveu revelá-los em 5/7/2017, justamente após o Cb PM Raphael e o Maj. PM Barros terem noticiado a existência de possível escuta clandestina em Lucas do Rio Verde, na qual estaria ele e o representado Paulo Taques envolvido”, indaga Perri.

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso chama ainda a atenção para o “interesse escancarado” do Governo na apuração da suposta espionagem em Lucas do Rio Verde a “ponto de o responsável pelo Gabinete de Comunicação emitir uma nota à imprensa”. O magistrado lembra que existem diferenças entre “amplo direito à defesa” e desviar o foco das investigações “vitimizando-se”.

 

“E o mais intrigante – para não dizer curioso – é o interesse escancarado do Governo na apuração destes fatos, a ponto de o responsável pelo Gabinete de Comunicação emitir uma nota à imprensa, exigindo a investigação dos fatos noticiados pelo Cel. PM Siqueira. Exercer o amplo direito à defesa é uma coisa. Abusar do seu direito, no intuito de desviar o foco das investigações, vitimizandose, com ataques às testemunhas auscultadas, é outra”.

fonte:folhamax

Última modificação emSábado, 05 Agosto 2017 09:38

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

29°C

Primavera do Leste

Parcialmente Nublado

Umidade: 70%

Ventos: 0 km/h

  • 24 Mar 2016 27°C 21°C
  • 25 Mar 2016 27°C 21°C
Banner 468 x 60 px